8 de Março – Dia Internacional da Mulher

Mensagem da Comissão Brasileira Justiça e Paz

 

 

“Arei a terra, plantei, enchi os celeiros, e nenhum homem
podia se igualar a mim! Não sou eu uma mulher?
Eu podia trabalhar tanto e comer tanto quanto um homem –
quando eu conseguia comida – e aguentava o chicote da
mesma forma! Não sou eu uma mulher?
Dei à luz treze crianças e vi a maioria ser vendida como
escrava e, quando chorei em meu sofrimento de mãe, ninguém,
exceto Jesus me ouviu! Não sou eu uma mulher?”
(Discurso de Sajourner Truth na Convenção de Mulheres em Akron, Ohio, 1851)

 

 

Neste dia 8 de março, mulheres do mundo, unidas, saem em marcha para ecoar e renovar os gritos de mulheres do campo, da floresta, das águas e da cidade, por dignidade e direitos.   

No 8 de março, estão presentes mulheres lutadoras do passado e do presente. Está presente o sangue das que morreram em consequência dos séculos de políticas e práticas religiosas e culturais patriarcais. Estão presentes também todas as mulheres assassinadas pelo patriarcado moderno que se alia aos fundamentalismos, ao racismo, ao capital internacional financeirizado e atualiza o ódio às mulheres com velhos discursos de controle e poder. 

O Dia Internacional da Mulher é para refletirmos sobre nossa humanidade. Não se pode falar em sociedade justa enquanto não existirem condições de igualdade e respeito para mulheres e homens. Lembremos que as mulheres têm histórias e saberes de vida diversos. O patriarcalismo desvaloriza esta diversidade para justificar desigualdades.   

O Dia Internacional da Mulher nos convida a olharmos para o racismo. A busca das mulheres por igualdade de condições caminhou lado a lado com a luta contra a escravização de seres humanos. O racismo brasileiro se escancara diariamente, ao mostrar que 66% de todas as mulheres assassinadas no Brasil são negras.   

Pronunciamentos da autoridade máxima do país tem grande influência sobre a população. Por isso, discursos que banalizam a violência contra as mulheres legitimam a ação violenta de homens que se sentem autorizados para agredir ou matar mulheres. 

Nos países em que os valores civilizatórios que garantem igualdade entre mulheres e homens foram conquistados, houve intensa luta e uma teimosia cidadã. As mulheres brasileiras não aceitam mais a legitimidade do patriarcado como a “ordem natural das coisas”, mas ainda estamos longe de uma civilização igualitária para com o ser humano. 

Para sairmos às ruas, no 8 de março, precisamos de coragem e utopia para tornar realidade as nossas aspirações por direitos iguais para homens e mulheres.  

Nenhuma mulher a menos! Que todas as mulheres possam viver e participar da construção da democracia, sem violência e dominação, construindo territórios livres. 

Sim, um mundo sem violência contra as mulheres é exigência de Deus, isso porque, como lembrou Papa Francisco, no início deste ano, qualquer violência infligida às mulheres é uma profanação de Deus, que nasceu de uma mulher.   

Não é possível conciliar nossa humanidade com a violência contra as mulheres. É dever de todas e todos, independentemente se têm pertença religiosa ou não, comprometer-se com a vida das mulheres.   

É por isso que marchamos no Dia 8 de Março: É pela Vida das Mulheres! 

 

Comissão Brasileira Justiça e Paz