Campo Grande, 07 de abril de 2021.
“Que esta reflexão se abra ao
diálogo com todas as pessoas de boa vontade”
(Papa Francisco, Fratelli Tutti, 6)
 
Defender a vida é dever de toda a sociedade e da Igreja
Vida acima do lucro!
 
Caríssimos irmãos e irmãs, 
 
O momento em que nosso país passa é triste e trágico. Vemos a cada dia aumentando o número de infectados e de mortes diárias. Isso não é por falta de conhecimento, de informação, que nos chegam através de pesquisas de especialistas que nos alertam da escalada sem precedentes do número de vítimas.
 
O que vivemos e vemos é fruto do negacionismo e de uma necropolítica. Várias entidades da sociedade civil, inclusive a OMS – Organização Mundial da Saúde, nos chamam a atenção para a necessidade do isolamento social, da aplicação de um lockdown com o intuito de frear a disseminação do vírus, através da circulação e aglomeração de pessoas. De modo particular citamos um cientista brasileiro de renome internacional, Dr. Miguel Nicolelis.
 
No entanto o que vem ocorrendo é continuar com tudo normal ignorando a dor e o sofrimento de diversas famílias que têm perdido seus entes queridos tão precocemente em razão dessa pandemia.   Já são mais de 341 mil mortes no país, com mais de 4125 pessoas mortas em um único dia. Os especialistas continuam nos alertando através de estudos que podemos chegar até julho a mais de 560 mil mortos. O estado de Mato Grosso do Sul é atualmente o terceiro estado com mais infectados no Brasil.
 
Muito esclarecedora é a carta de D. Antonino, aos padres, falando a respeito da normalidade.
 
Ele é o Bispo de Coxim, referencial para o clero do nosso Regional. Ele trata de diversos aspectos da realidade produzida pela pandemia, especialmente em relação à Igreja, à liturgia, à catequese e à vida dos padres.  Muitos querem mudar para ficar do mesmo jeito: “se este novo for o velho com roupa nova, não servirá para nada”. E mais adiante: “Refletimos sobre o essencial na nossa vida de padres, seja em nível espiritual seja em nível material (dinheiro, casa, carro, mordomias várias)?” 
 
Acolhemos também a comunicação do CONIC, em que consta a referência ao versículo do Evangelho de Mt 18,20:  alguns momentos litúrgicos, de oração, estudos bíblicos, e até cultos e celebrações, não precisam ser realizados de forma presencial. Lembra que Jesus está entre nós quando duas ou três pessoas estiverem reunidas em Seu nome. Esta reunião não precisa acontecer nos templos. A primeira missa depois da ressurreição de Cristo, que está no Evangelho de Lucas é a celebração na casa dos discípulos de Emaus (Lc 24,13 e ss.).
 
Evitar aglomeração, circulação de pessoas, usar máscaras é um dever do Cristão e todas as pessoas de todas as denominações e profissão de fé. Não achamos que precisamos esperar uma decisão judicial para evitar isso, é nossa obrigação em defesa da vida. Ficar em casa, lutar para que o estado cumpra seu dever de garantir subsistência a todos e todas, sermos solidários são atitudes coerentes com o Evangelho.
 
O vírus está e circula em todos os lugares, na rua, no comércio, nas igrejas, tanto é que aqui em nosso estado em nossa Igreja Católica Apostólica Romana temos vistos diversos agentes de pastorais, padres, bispos que sofrem com a infestação, ficando dias internados, intubados, isso quando não perdem a vida, o que aconteceu com muitos.
 
Neste sentido nos Leigos e leigas de diversas pastorais sociais, organismos, movimentos do nosso Regional Oeste 1 sugerimos:
  • A não realização de missas, cultos ou celebrações presenciais;
  • A aplicação da igreja doméstica – vamos orar em casa, estreitar ainda mais os laços familiares;
  • Que nossos bispos, a exemplo de alguns, apliquem o lockdown em seus templos, que mobilizem os fiéis para a solidariedade e sua contribuição;
  • Auxílio emergencial financeiro e alimentar;
  • Lutar pela vacinação de todos e todas, inclusive pessoas encarceradas e em situação de rua e em estado de extrema vulnerabilidade.
 
Enquanto uma pessoa não estiver a salvo, ninguém está salvo.
 
Edivaldo Bispo Cardoso – Comissão Regional de Justiça e Paz de Mato Grosso do Sul
Moisés Batista dos Santos – Presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil – Regional Oeste 1
Rosilda Ribeiro Rodrigues Salomão – Pastoral Carcerária de Mato Grosso do Sul
Matias Brenno Rempel – Conselho Indigenista Missionário de Mato Grosso do Sul
Amélia Hakme Romano - Centro de Estudo Bíblicos de Mato Grosso do Sul
Odete Aparecida de Souza Airton – Comunidade Eclesiais de Base de Mato Grosso do Sul