NOTA DE APOIO AO CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL–CONIC, À CNBB E À PASTORA ROMI BENCKE

 

“Para a Igreja, o diálogo entre os membros de diversas religiões constitui um instrumento importante para colaborar com todas as comunidades religiosas para o bem comum. A própria Igreja nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. «Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens»…

Em 2011, tem lugar o 25º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz, que o Venerável Papa João Paulo II convocou em Assis em 1986. Naquela ocasião, os líderes das grandes religiões do mundo deram testemunho da religião como sendo um fator de união e paz, e não de divisão e conflito. A recordação daquela experiência é motivo de esperança para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justiça e de paz.” (Trecho da mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, 01/01/2011).

A Comissão Justiça e Paz de Brasília (CJP-DF), por meio dessa nota, expressa seu apoio à Campanha da Fraternidade Ecumênica, ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC na figura da Pastora Romi Bencke e, principalmente, à CNBB, pela firme disposição de manter a caminhada ecumênica da Igreja Católica assumida pelo Papa João XXIII, pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, pelos papas Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco, na direção do diálogo para o bem comum.

Reforça-se que a Campanha da Fraternidade tem relevância na construção da ética cristã, com um legado de cinco décadas de evangelização. Nesse mesmo sentido, as Campanhas da Fraternidade Ecumênicas também constituem significativo patrimônio ao cristianismo no Brasil, e, desde a virada do milênio, foram realizadas quatro outras campanhas ecumênicas: (2000) Dignidade Humana e Paz;  (2005) Solidariedade e Paz; (2010) Economia e Vida; (2016) Casa Comum, Nossa Responsabilidade, sendo apoiadas pelos pontífices São João Paulo II, Bento XVI e Francisco:

[…]  Elevo a Deus, rico em misericórdia, ardentes preces para que este Ano Santo seja tempo de abertura, de diálogo e de aproximação entre todos os cristãos na caminhada ecumênica promovida pelo CONIC, Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil, para que todos os homens creiam em Cristo. “Se souberem seguir o caminho que Ele indica, terão a alegria de dar o próprio contributo para a presença d’Ele no próximo século e nos sucessivos”. (Trecho da mensagem do Papa São João Paulo II para a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2000).

[…] Eu desejo o mesmo sucesso às Igrejas e Comunidades eclesiais no Brasil que, neste ano, decidiram unir seus esforços para reconciliar as pessoas com Deus, ajudando-lhes a libertar-se da escravidão do dinheiro. (Trecho da mensagem do Papa Bento XVI para a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010).

[…]  É a quarta vez que a Campanha da Fraternidade se realiza com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)…..  Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e aos que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedindo a Deus: «ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita…. Obrigado porque estais conosco todos os dias.(Trecho da mensagem do Papa Francisco para a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016).

A Comissão Justiça e Paz de Brasília enfatiza a importância de os cristãos comungarem da mensagem do Papa Francisco reconhecendo seu estatuto e autoridade, salientando  o enunciado na Carta Encíclica Fratelli Tutti, onde o Papa relembra o coração sem fronteiras de São Francisco de Assis:

“Na sua vida, há um episódio que nos mostra o seu coração sem fronteiras, capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião: é a sua visita ao Sultão Malik-al-Kamil, no Egito…. Sem ignorar as dificuldades e perigos, São Francisco foi ao encontro do Sultão com a mesma atitude que pedia aos seus discípulos: sem negar a própria identidade, quando estiverdes «entre sarracenos e outros infiéis (…), não façais litígios nem contendas, mas sede submissos a toda a criatura humana por amor de Deus». No contexto de então, era um pedido extraordinário. É impressionante que, há oitocentos anos, Francisco recomende evitar toda a forma de agressão ou contenda e também viver uma «submissão» humilde e fraterna, mesmo com quem não partilhasse a sua fé.” (Fratelli Tutti 3).

“As questões relacionadas com a fraternidade e a amizade social sempre estiveram entre as minhas preocupações. Além disso, se na redação da Laudato si’ tive uma fonte de inspiração no meu irmão Bartolomeu, o Patriarca ortodoxo que propunha com grande vigor o cuidado da criação, agora senti-me especialmente estimulado pelo Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, com quem me encontrei, em Abu Dhabi, para lembrar que Deus «criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade, e os chamou a conviver entre si como irmãos” (Fratelli Tutti 5).

Ressaltando a autoridade do Santo Padre e de sua doutrina, bem como tocados pelo coração sem fronteiras de São Francisco, “capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião” e pela mensagem evangelizadora da Campanha da Fraternidade de 2021 “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor”, cujo o lema é “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido, fez uma unidade”, a CJP-DF manifesta sua maior solidariedade ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC e à CNBB.

Entretanto, o faz, sobretudo, na medida em que são constrangedoras as ofensas aleivosamente difamantes assacadas contra a Secretária Geral do CONIC, Pastora Romi Bencke. Não é só a investida arrogante que quer afastar injustamente quem se põe a serviço da mesma causa e compreende que “a salvação é para todos” (Lucas 13, 22-30). É se opor à orientação do próprio Papa em sua atenção ao feminino, atribuindo às mulheres responsabilidades cada vez mais exigentes como agora ao chamar ao Sínodo, com direito a voto, o seu protagonismo crescente.

Por fim, cabe-nos meditar com o Papa Francisco: “Neste espaço de reflexão sobre a fraternidade universal, senti-me motivado especialmente por São Francisco de Assis e também por outros irmãos que não são católicos: Martin Luther King, Desmond Tutu, Mahatma Mohandas Gandhi e muitos outros. Mas quero terminar lembrando uma outra pessoa de profunda fé, que, a partir da sua intensa experiência de Deus, realizou um caminho de transformação até se sentir irmão de todos. Refiro-me ao Beato Carlos de Foucauld…o seu ideal duma entrega total a Deus encaminhou-o para uma identificação com os últimos, os mais abandonados no interior do deserto africano.
Que Deus inspire este ideal a cada um de nós. Amém.” (Fratelli Tutti, 286/287)

Por Comissão Justiça e Paz de Brasília – 09/02/2021.

fonte: https://www.comissaojusticaepazdf.org.br/comissao-justica-e-paz-emite-nota-de-apoio-e-solidariedade-a-campanha-da-fraternidade/

LEIA TAMBÉM

Manifesto das Comunidades sobre as críticas caluniosas do Centro Dom Bosco à Campanha da Fraternidade 2021

 

REFERÊNCIAS CATÓLICAS QUE NÃO TE CONTARAM SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2021

 

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) é proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) como parte do itinerário quaresmal em preparação para celebrar a Páscoa do Senhor. Em conjunto com as demais Igrejas-membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), a CFE 2021 é a quinta edição dessa iniciativa que fortalece a caminhada ecumênica da Igreja conforme o convite de São João Paulo II na carta encíclica Ut Unum Sint. O documento pontifício é uma das tantas referências católicas que uma leitura superficial e até maldosa pode não permitir encontrar. Mas o Portal da CNBB ajuda nessa tarefa.

A origem

A Campanha da Fraternidade é uma iniciativa da Igreja no Brasil que, desde 1964, vem iniciando diversos processos de transformação à luz da Palavra de Deus como resposta do coração que se converte. Assim como Jesus ensina em Mateus 25, 40, a Igreja em Natal buscou há mais de 50 anos atender à necessidade urgente de famílias que necessitavam de alimento. E assim se seguiu colocando a caridade cristã em prática. Por meio da reflexão sobre a realidade à luz da Palavra de Deus, a Campanha da Fraternidade é um momento de convite à conversão no Tempo da Quaresma.

Conversão

E o texto base aponta para o chamado à conversão logo no início. Esse processo no centro da espiritualidade quaresmal “nos provoca a pensarmos e repensarmos cotidianamente nossa forma de estar no mundo”. Na busca pela conversão o convite é para refletir “como nos envolvemos com as transformações sociais, econômicas, espirituais, ecológicas, individuais e coletivas, a fim de que sejamos, cada vez mais coerentes com os ensinamentos de Jesus nos Evangelhos”.

O Catecismo da Igreja Católica ressalta as três formas de penitência interior do cristão ensinadas pela Escritura e pelos Padres da Igreja: o jejum, a oração e a esmola. Elas “exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros”. No parágrafo 1435, a Igreja ensina que “a conversão realiza-se na vida quotidiana por gestos de reconciliação, pelo cuidado dos pobres, o exercício e a defesa da justiça e do direito, pela confissão das próprias faltas aos irmãos, pela correção fraterna, a revisão de vida, o exame de consciência, a direção espiritual, a aceitação dos sofrimentos, a coragem de suportar a perseguição por amor da justiça”. 

A CFE 2021, portanto, convida à conversão ao diálogo e ao compromisso de amor:

“A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 quer ser um convite para viver um jejum que agrada a Deus e que conduz à superação de todas as formas de intolerância, racismo, violências e preconceitos. Queremos que nosso arrependimento contribua para assumirmos outras posturas em relação a cada pessoa que encontrarmos ao longo do caminho e que, ao longo dos 40 dias da Quaresma, nos perguntemos se nossa prática cristã promove a paz ou potencializa o ódio. Esperamos que este seja um tempo que nos ajude a testemunhar e anunciar com a própria vida que Cristo é a nossa paz, adotando comportamentos de acolhida, de diálogo, de não violência e antirracistas”, lê-se no texto base.

Seguimento a Jesus Cristo

Conversão, na realidade cristã também consiste em seguir a Jesus Cristo como discípulo. A CFE 2021 propõe uma trajetória que visa conduz a um reencontro com a vida de amor anunciada por Jesus. Ao refletir sobre o testemunho como pessoas batizadas, são feitas algumas perguntas: “Qual é o significado e o sentido do seguimento a Jesus? Associamos o nome de Jesus mais ao amor ou à intolerância? Nossa fé em Jesus Cristo tem contribuído para posturas de acolhida e de compromisso com as pessoas vulneráveis e vulnerabilizadas, pobres e excluídas e de comprometimento em projetos de superação das desigualdades?”

A fim de concretizar a oferta de Jesus “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude” ( Jo 10,10), a Campanha da Fraternidade 2021 quer ajudar “a florescer a cultura da paz como consequência da transformação de todas as estruturas desiguais como o racismo, a disparidade econômica, de todas as formas de segregação, geradoras de conflito e violência”.

Assim como os discípulos de Emaús, cuja passagem bíblica conduz as reflexões da CFE 2021, todos são chamados a redescobrir Cristo no caminho e aprender que “a paz do Ressuscitado que nos une”. Como um dos modos de viver a espiritualidade quaresmal, a CFE convida as comunidades de fé a realizarem o caminho de Emaús, a partir das seguintes paradas de acordo com o padre Patriky Samuel Batista:

1. Contemplar a realidade com os olhos da fé;
2. Iluminar a realidade a partir do texto dos discípulos de Emaús e também da carta de Paulo aos Efésios;
3. Contemplar as boas práticas que já existem em favor do diálogo e olhar a realidade e perceber sinais concretos de um caminho dialogal;
4. Celebrar. A grande convivência entre as Igrejas Cristãs é o grande testemunho que nós podemos oferecer ao mundo.

Empenho Ecumênico

Ao contrário da visão negacionista em relação ao Concílio Vaticano II, sobre a qual o Papa Francisco já alertou recentemente – “Quem não segue Concílio não está na Igreja” -, a Igreja reconhece que «fora da sua comunidade visível, se encontram muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica ».

«Por isso, as Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja Católica », afirma o Papa João Paulo II na Carta encíclica Ut Unum Sint – sobre o empenho ecumênico.

 E é justamente esse documento católico que inspira a ação para recuperar a capacidade de dialogar e resgatar o diálogo como compromisso de amor. “Essa expressão ‘compromisso de amor’ se deve a São João Paulo II naquela carta encíclica Ut Unum Sint, onde o Papa nos exorta a testemunhar o diálogo como compromisso de quem ama”, recorda o secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Patrily Samuel Batista, na primeira videoaula sobre a CFE 2021. Para acessar uma formação edificante em vídeo sobre a CFE 2021, clique aqui.

Na encíclica publicada em 1995, São João Paulo II afirma que o empenho ecumênico deve fundar-se na conversão dos corações e na oração, “ambas induzindo depois à necessária purificação da memória histórica”. E ainda que “juntamente com todos os discípulos de Cristo, a Igreja Católica funda, sobre o desígnio de Deus, o seu empenho ecumênico de reunir a todos na unidade”.

“De fato, « a Igreja não é uma realidade voltada sobre si mesma, mas aberta permanentemente à dinâmica missionária e ecumênica, porque enviada ao mundo para anunciar e testemunhar, atualizar e expandir o mistério de comunhão que a constitui: a fim de reunir a todos e tudo em Cristo; ser para todos “sacramento inseparável de unidade” ».

O documento papal motivou iniciativas concretas no empenho ecumênico que, aqui no Brasil, resultou na primeira Campanha da Fraternidade Ecumênica no ano 2000.

“Eu mesmo tenciono promover todo e qualquer passo útil a fim de que o testemunho da Comunidade Católica inteira possa ser compreendido em toda a sua pureza e coerência, sobretudo na perspectiva daquele encontro que espera a Igreja no limiar do novo Milénio, hora excepcional em vista da qual ela pede ao Senhor que a unidade entre todos os cristãos cresça até chegar à plena comunhão”, escreveu João Paulo II.

Quando se faz memória da caminhada ecumênica no Brasil, ganha relevo o aprofundamento da compreensão de que tanto a missão como a evangelização devem ser orientadas para o que é essencial na fé em Jesus Cristo: crer em sua palavra, acolher seus mandamentos e a partir daí trabalhar para a superação das desigualdades, das violências, do exclusivismo das identidades confessionais.

 

Oração

Em mais de uma ocasião, o texto base da CFE 2021 oferece ainda uma oração, de autoria do cardeal José Tolentino Mendonça, para este tempo de pandemia. O poeta português, criado cardeal pelo Papa Francisco, pede em sua oração o livramento do coronavírus, mas de tantos outros, como “o vírus do pânico disseminado, que em vez de construir sabedoria nos atira desamparados para o labirinto da angústia”.

 

Livra-nos, Senhor, deste vírus, mas também de todos os
outros que se escondem dentro dele.

Livra-nos do vírus do pânico disseminado, que em vez
de construir sabedoria nos atira desamparados para o
labirinto da angústia.

Livra-nos do vírus do desânimo que nos retira a fortaleza
de alma com que melhor se enfrentam as horas difíceis.

Livra-nos do vírus do pessimismo, pois não nos deixa
ver que, se não pudermos abrir a porta, temos ainda
possibilidade de abrir janelas.

Livra-nos do vírus do isolamento interior que desagrega,
pois o mundo continua a ser uma comunidade viva.

Livra-nos do vírus do individualismo que faz crescer as
muralhas, mas explode em nosso redor todas as pontes.

Livra-nos do vírus da comunicação vazia em doses massivas,
pois essa se sobrepõe à verdade das palavras que
nos chegam do silêncio.

Livra-nos do vírus da impotência, pois uma das coisas
mais urgentes a aprender é o poder da nossa
vulnerabilidade.

Livra-nos, Senhor, do vírus das noites sem fim, pois não
deixas de recordar que tu mesmo nos colocaste como
sentinelas da aurora.

fonte: https://www.cnbb.org.br/referencias-catolicas-que-nao-te-contaram-sobre-a-cfe-2021/


 

 

PRESIDÊNCIA DA CNBB DIVULGA NOTA SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2021

 

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta terça-feira, 9 de fevereiro, uma nota na qual esclarece pontos referentes à realização da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, cujo tema é: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema: “Cristo é a nossa paz. Do que era dividido fez uma unidade”,  (Ef 2,14a).

O documento reafirma a Campanha da Fraternidade como uma marca e, ao mesmo tempo, uma riqueza da Igreja no Brasil que deve ser cuidada e melhorada sempre mais por meio do diálogo. Iluminado pela Encíclica Ut Unum Sint, de 1999, do Papa São João Paulo II, o texto aponta também ser necessário cuidar da causa ecumênica. 

Sobre o texto-base da CFE deste ano, os bispos afirmam que a publicação seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), conselho responsável pela preparação e coordenação da campanha da fraternidade em seu formato ecumênico. “Não se trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado apenas pela comissão da CNBB”, aponta a Nota.

No documento, a presidência da CNBB reafirma que a Igreja Católica tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero e se mantém fiel a ela. “A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que ‘gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas., pág. 673).

A nota informa que os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) seguem rigorosa orientação, obedecendo não apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também a preocupação quanto à identidade dos projetos atendidos. “Os recursos só serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica”, reforça a nota.

A presidência da CNBB afirma, no parágrafo final, que apesar de nem sempre ser fácil cuidar das dificuldades levantadas pela realização de uma Campanha da Fraternidade e da caminhada ecumênica e de muitos outros aspectos da ação evangelizadora da Igreja, nem por isso se deve desanimar e romper a comunhão, o que segundo os bispos é uma das maiores marcas dos cristãos. “Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos”, exorta a presidência da CNBB.

Conheça, abaixo, a íntegra do documento. Aqui a versão em PDF:

NOTA DA PRESIDÊNCIA DA CNBB

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus,

“Não apagueis o Espírito, não desprezais as profecias,
mas examinai tudo e guardai o que for bom” (1 Ts 5,21)

1. No exercício de nossa missão evangelizadora, deparamo-nos com inúmeros desafios, diante dos quais não podemos esmorecer, mas, ao contrário, buscar forças para responder com tranquilidade e esperança.
2. Nosso país vive um tempo entristecedor, com tantas mortes causadas pela covid-19, um processo de vacinação que gostaríamos fosse mais rápido e uma população que se cansou de seguir as medidas de proteção sanitária. Nosso coração de pastores sofre diante de tantas sequelas que surgem a partir da pandemia, em especial o empobrecimento e a fome.

A Campanha da Fraternidade 2021 e suas características
3. Em meio a tudo isso e atendendo à solicitação de irmãos bispos, desejamos abordar a Campanha da Fraternidade deste ano. Algumas afirmações têm ocasionado insegurança e mesmo perplexidade.
4. Como sabemos, a Campanha da Fraternidade é uma riqueza da Igreja no Brasil, nascida e amadurecida não sem dificuldades e mesmo sofrimentos. A cada Campanha, o aprendizado se fortalece e se mostra continuamente necessário. Assim acontece com cada tema escolhido e assim acontece quando as Campanhas, desde o ano 2000, são feitas em modo ecumênico.
5. Para este ano, o tema escolhido foi o diálogo, com o tema, portanto, fraternidade e diálogo: compromisso de amor. Trata-se, como explicado nas formações feitas pelo nosso Setor de Campanhas, do recolhimento dos temas anteriores, em especial desde 2018, que tratou da superação da violência, até 2020, quando apresentou-se a proposta cristã do cuidado.
6. Para 2021, conforme aprovação em nossa Assembleia Geral de 2018, a Campanha foi construída ecumenicamente e, conforme costume desde o ano 2000, sob a responsabilidade do CONIC. Nas primeiras reuniões, discerniu-se pelo tema do diálogo, urgência num tempo de polarizações e fanatismos, cabendo então ao CONIC a construção do texto-base. Isso foi feito conforme está explicado na apresentação do mesmo, com detalhamento da equipe elaboradora, na pág. 9.
7. Consequentemente, o texto seguiu a estrutura de pensamento e trabalho do CONIC. Foram realizadas várias reuniões, o texto passou por revisão da assessoria teológica do CONIC, uma assessoria com membros das diversas igrejas, chegando, então, ao que hoje temos. Não se trata, portanto, de um texto ao estilo do que ocorreria caso fosse preparado pela comissão da CNBB, pois são duas compreensões distintas, ainda que em torno do mesmo ideal de servir a Jesus Cristo. O texto-base desse ano, por conseguinte, deve ser assim compreendido, como o foi nas Campanhas da Fraternidade levadas a efeito de modo ecumênico.

Algumas questões específicas
8. Nos últimos dias, reações têm surgido quanto ao texto. Apresentam argumentos que esquecem da origem do texto, desejando, por exemplo, de uma linguagem predominantemente católica. Trazem ainda preocupações com relação a aspectos específicos, a saber, as questões de gênero, conforme os números 67 e 68 do referido texto.
9. A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que “gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas., pág. 673).

Uma ajuda destacável
10. Já pronto o texto-base, fomos presenteados com a Fratelli Tutti, que recomendamos vivamente seja também utilizada como subsídio para a Campanha da Fraternidade deste ano. Ela estabelece forte conexão entre o tema de 2020 e o de 2021, cuidado e diálogo, e muito ajudará na reflexão sobre o diálogo e a fraternidade.

Coleta da Solidariedade
11. Junto com essas preocupações de conteúdo, surgiu ainda a sugestão de que não se faça a oferta da solidariedade no Domingo de Ramos, uma vez que existiria o risco de aplicação dos recursos em causas que não estariam ligadas à doutrina católica.
12. Lembramos que, em 2019, foi distribuída pelo Fundo Nacional de Solidariedade – FNS a quantia de R$3.814.139,81, fruto da generosidade de nossas comunidades, não se incluindo nessa quantia o que foi destinado aos fundos diocesanos. Em 2020, por causa da pandemia, não ocorreu arrecadação. Somente com a ajuda da instituição alemã Adveniat conseguimos atender a 15 projetos.
13. Sobre isso, recordamos que o FNS segue rigorosa orientação, obedecendo não apenas a legislação civil vigente para o assunto, mas também preocupação quanto à identidade dos projetos atendidos. Desde o início da construção da Campanha da Fraternidade de 2021, temos informado ao CONIC a respeito da dificuldade e até mesmo da impossibilidade de mantermos a estrutura do Fundo de Solidariedade como ocorrido nas Campanhas ecumênicas anteriores. Sobre este ponto, tendo como base a última dessas Campanhas, a de 2016, esta Presidência já manifestou ao CONIC as dificuldades e, por espírito de comunhão e corresponsabilidade, vai conversar sobre o assunto na próxima reunião do CONSEP. A conclusão será informada em seguida.

Desse modo:
14. Em consequência, respeitando a autonomia de cada irmão bispo junto aos seus diocesanos e como não poucos irmãos nos têm solicitado indicações para informar ao povo sobre a CF 2021, consideramos importante que sejam destacados os seguintes aspectos:
1) A Campanha da Fraternidade é um valor que não podemos descartar.
2) Alguns temas, conforme seu modo de ser apresentado, tornam-se mais difíceis que outros.
3) A Igreja tem sua doutrina estabelecida a respeito das questões de gênero e se mantém fiel a ela.
4) Os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade serão aplicados em situações que não agridam os princípios defendidos pela Igreja Católica.
5) A causa ecumênica se mantém importante. “Uma comunidade cristã que crê em Cristo e deseja com o ardor do Evangelho a salvação da humanidade não pode de forma alguma fechar-se ao apelo do Espírito que orienta todos os cristãos para a unidade plena e visível … O ecumenismo não é apenas uma questão interna das comunidades cristãs, mas diz respeito ao amor que Deus, em Cristo Jesus, destina ao conjunto da humanidade; e criar obstáculos a este amor é uma ofensa a Ele e ao Seu desígnio de reunir todos em Cristo” (S. João Paulo II, Encíclica Ut Unum Sint, 99)
15. Concluímos lembrando a importância da Campanha da Fraternidade na história da evangelização do Brasil. É nossa marca. Cabe-nos cuidar dela, melhorá-la sempre mais por meio do diálogo, assim como nos cabe cuidar da causa ecumênica, um ideal que se nos impõe. Se nem sempre é fácil cuidar de ambos e de muitos outros aspectos de nossa ação evangelizadora, nem por isso devemos desanimar e romper a comunhão, uma de nossas maiores marcas, um tesouro que o Senhor Jesus nos deixou e do qual não podemos abrir mão. Não desanimemos. Não desistamos. Unamo-nos.

Brasília-DF, 09 de fevereiro de 2021


Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

 fonte: https://www.cnbb.org.br/presidencia-da-cnbb-divulga-nota-sobre-a-campanha-da-fraternidade-ecumenica-2021/

 

O QUE OS PAPAS FRANCISCO, BENTO XVI E SÃO JOÃO PAULO II DISSERAM SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE EM MENSAGENS ENVIADAS À IGREJA NO BRASIL

 
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A Campanha da Fraternidade recebe todos os anos uma mensagem especial do Santo Padre que é lida e divulgada na abertura da Quaresma, incentivando a participação ativa dos fiéis e de toda sociedade. O secretário-executivo de Campanhas da Fraternidade e Evangelização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Patriky Samuel Batista, recuperou a partir dos arquivos do Centro de Documentação da entidade a primeira mensagem e o que disseram os últimos três Pontífices sobre a campanha.

“Alegro-me que, há mais de cinco décadas, a Igreja no Brasil realize, no período quaresmal, a Campanha da Fraternidade, anunciando a importância de não separar a conversão do serviço aos irmãos e irmãs, sobretudo os mais necessitados”. Estas foram as palavras do Papa Francisco em mensagem enviada especialmente para a Campanha da Fraternidade em 2020.

A primeira mensagem foi enviada pelo Papa Paulo VI em 1970 a pedido do presidente da CNBB, cardeal Dom Agnelo Rossi. Neste ano, o tema era “Participação” e o lema: “Ser cristão é participar”. Padre Patriky recorda que a mensagem fazia uma ligação entre a encíclica Populorum Progressio e a CF ajudando a compreender que a conversão, no horizonte do Evangelho, é reorientação profunda da vida. Por isso a necessidade de “criar uma nova mentalidade em que todos se deem as mãos, o forte ajudando o fraco a crescer, oferecendo-lhe toda a sua competência, entusiasmo e amor desinteressado”.

Na mensagem para a CF de 1979, São João Paulo II falava da necessidade de viver a quaresma com ascese pessoal, mas sem esquecer da importância do doar-se. Em suas próprias palavras: “Dar mostras dessa conversão ao amor de Deus com gestos concretos de amor ao próximo”.

Em 2007, a mensagem do Papa Bento XVI afirmava: “Ao iniciar o itinerário espiritual da Quaresma, a caminho da Páscoa da ressurreição do Senhor, desejo uma vez mais aderir à Campanha da Fraternidade (…) tempo em que cada cristão é convidado a refletir de modo particular sobre as várias situações sociais do povo brasileiro que requerem maior fraternidade”.

Segundo secretário-executivo de Campanhas da CNBB ano após ano os Pontífices exortam os fiéis católicos no Brasil a abraçar a CF como testemunho de comunhão em vista da construção de um mundo novo como bem diz o apóstolo das nações: Não vos conformeis com este mundo, mas, transformai-vos, pela renovação da mente, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Rm 12,2).

Em sintonia com a 5ª Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) 2021, cuja abertura acontece na próxima quarta-feira, 17 de fevereiro, na Quarta-Feira de Cinzas, o padre Patriky recorda as palavras do Papa-emérito Bento XVI sobre a importância da comunhão:

“o caminho rumo à plena comunhão querida por Jesus para os seus discípulos exige, numa docilidade concreta ao que o Espírito diz às Igrejas, coragem, docilidade, firmeza e esperança de alcançar a finalidade. Exige em primeiro lugar a oração insistente e de um só coração, para obter do Bom Pastor o dom da unidade para o seu rebanho. (…) O mundo em que vivemos com frequência está marcado por conflitos, violência e guerras, mas aspira seriamente pela paz, uma paz que é sobretudo um dom de Deus, uma paz pela qual devemos rezar incessantemente. Contudo, a paz é também um dever pelo qual todos os povos se devem comprometer, sobretudo os que professam pertencer a tradições religiosas. (Novo millennio ineunte,55).

 

Igreja Presbiteriana Unida: Nota de Apoio à CFE 2021

 
Saudações em Cristo Jesus.
 
Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (CC-IPU) reitera suas orações e seu apoio à V Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) e ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e manifesta sua solidariedade com os representantes das instituições que nos últimos dias sofreram ataques caluniadores e infundados.
 
Solidarizamo-nos com Inácio Lemke, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e Presidente do CONIC; com Anita Sue Wright Torres, PRESBÍTERA da Igreja Presbiteriana Unida e 1ª Vice-Presidente do CONIC; com Oscar Beozzo, padre católico romano e representante do CESEEP; e com a Romi Márcia Bencke, PASTORA da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e Secretária-Geral do CONIC, que tiveram suas falas retiradas do contexto com fins difamatórios. Reconhecemos nesses irmãos e nessas irmãs o testemunho cristão marcado pela coerência profética, por sólido fundamento teológico e pelo histórico de compromisso ecumênico.
 
Registramos também nossa solidariedade e nossa gratidão à comissão ecumênica que preparou o texto base da Campanha da Fraternidade Ecumênica, membros de oito instituições ecumênicas (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Betesda e Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), e com todos os irmãos e irmãs –  aproximadamente vinte pessoas com notório saber teológico e engajamento eclesiástico – que não têm seus nomes mencionados, mas cooperaram com a comissão em várias etapas da preparação do material da CFE, sobretudo do Texto Base. A IPU acompanhou de perto todo este processo, pois estava representada desde o início pelo trabalho pelo Rev. Francisco Benedito Leite, atual 2º Secretário do CC-IPU.
 
Como Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, entendemos que o ecumenismo está diretamente relacionado com o amor e a fidelidade a Jesus em sua oração pela unidade, com o serviço cristão no mundo (diaconia), com a tolerância religiosa, com o diálogo inter-religioso e com o compromisso com os marginalizados, na busca por justiça e paz.
 
Assim declaramos que a V CFE representa bem nossas convicções cristãs ecumênicas e seu tema e lema são oportunos para a proclamação do testemunho profético no momento histórico em que vivemos tantas divisões em nossa sociedade e boa parte delas criadas por instituições e pessoas que se identificam como cristãs. Entendemos que a superação desses problemas dar-se-á somente por Cristo, “Ele é a nossa paz, do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2.14ª).
 
Portanto, nessa quaresma, incentivamos as lideranças de todas as nossas igrejas e presbitérios a se engajarem inteiramente nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica e conclamamos nossos irmãos e irmãs de todas as denominações da oikoumene (casa comum), sobretudo da Igreja Católica Apostólica Romana, a não se deixarem abalar por inverdades e injustiças e assim, comprometerem-se conosco na promoção de “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor”.
 
Em Cristo!
 
CC-IPU
 

Campanha da Fraternidade Ecumênica: posicionamento da Aliança de Batistas

 
Saudamos ao CONIC e a todas as igrejas pertencentes a este Conselho, na condição de “irmã mais nova”, por ser a Aliança de Batistas do Brasil a mais recente igreja a compor este Conselho. Mas o que nos falta em tempo e tamanho, nos sobra em entusiasmo: é assim que participamos pela segunda vez – a primeira, em 2015, como convidada, e agora em 2021 como membro pleno – de todo o processo de elaboração, divulgação e implementação da Campanha da Fraternidade Ecumênica.
 
A Coordenação do CONIC é testemunha de que buscamos oferecer o melhor de nossa membresia e do esforço de nossas igrejas, dentro de nossas limitações, para auxiliar desde a participação efetiva no Comitê Nacional de preparação das CFE’s, na produção de material escrito, vídeo, participação nas formações regionais, celebrações, etc.
 
É nessa condição que nos vemos perplexos com os ataques que a CFE 2021 vem sofrendo por parte de setores que buscam, entendemos, usurpar o nome da Igreja Católica Apostólica Romana, que conosco compõe este Conselho, ataques infundados, injustos e até mesmo criminosos e “demoníacos”.
 
Nos causa profunda consternação inclusive o ataque direcionado às pessoas do Presidente do CONIC, Pr. Inácio Lemke, da Vice Presidenta, Revda. Anita Wright e da Secretária Executiva, Pra. Romi Bencke, – entendo inclusive que o ataque a essas duas lideranças femininas, além do cunho anti-ecumênico é carregado de misoginia indisfarçável.
 
Nos causa espanto e temor, que precisemos defender de pessoas ditas cristãs aquilo que há de mais belo e cristão nessa nossa CFE-2021: a compreensão de que o Evangelho nos obriga a amar ao próximo como a si mesmo. E isso não é “ideologia”, “comunismo”, ou quaisquer outros adjetivos que pensem usar como forma de ofensa. Não, é puro e simples – porém radical – Evangelho de Jesus de Nazaré. E o seguimento a Jesus que exige de nós irmos em defesa dos que mais sofrem em nossa sociedade, a exemplo do sermão de Mateus 25:31-46, não apenas como um ato humanitário, mas como essência da nossa fé. Como o único parâmetro verdadeiramente válido de nossa ortodoxia: a maneira como agimos diante de quem sofre; se com solidariedade ou com indiferença.
 
Por isso, nos causa orgulho e não pesar, que no nosso texto-base da CFE-2021, pessoas e grupos vulnerabilizados em nosso tempo atual sejam mencionados: LGBTQIA+, a juventude negra vítima da violência e do racismo estrutural, das mulheres vítimas da misoginia, expressa de forma explícita através do feminicídio, etc. Afinal de contas, o que adiantaria termos como tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef. 2.14), se não fosse para levar isso às últimas consequências? As palavras e o exemplo radical de nosso Mestre exigem sempre isso de cada um/uma/ume de nós.
 
Encerramos, pois, essa mensagem reafirmando nosso compromisso com a integralidade da CFE-2021, e pedindo amavelmente que todas as lideranças das igrejas comprometidas nesse processo, e com especial carinho, à Igreja Católica Apostólica Romana, que teve seu nome envolvido nas calúnias dirigidas contra nossa CFE-2021, e contra as pessoas já referidas, que tornem público seu apoio irrevogável à integralidade da CFE-2021, e à honra das pessoas atingidas.
 
Cremos que só esse caminho nos trará a efetividade pretendida por esta linda campanha, e fará com que o sonho ecumênico continue a ser o horizonte de nossa caminhada fraterna.
 
Em Cristo, que é a nossa paz,
Aliança de Batistas do Brasil.