A pandemia de COVID 19 exige responsabilidade, solidariedade e vacinação já!


A pandemia de COVID 19 é a maior tragédia humanitária desde a II Guerra Mundial. No mundo, são mais de 1,5 milhão de mortes; no Brasil, mais de 180 mil; e no estado de São Paulo nos aproximamos de 45 mil. Famílias sofrem com a perda de seus entes queridos, assim como as 70 milhões de pessoas que adoeceram em todo o mundo, muitas das quais com gravidade, longos períodos de internação e sequelas. Após um período de queda em novos casos e mortes, eles voltaram a crescer, com riscos reais de colapso do sistema de saúde.

Temos também uma crise social: milhares de empresas foram fechadas; no Brasil, o índice de desemprego atingiu 14,4%, o maior da série histórica do IBGE iniciada em 2012 – são 13,5 milhões de desempregados; ao todo, são 79,141 milhões de pessoas fora do mercado formal de trabalho e uma queda no trabalho informal estimada em 25,8% em um ano; a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e Caribe prevê que, em 2021, 231 milhões dos 656 milhões de habitantes da região estarão em situação de pobreza (o maior patamar desde 2005). A pandemia não atinge igualmente a todos: ela exacerbou e escancarou as desigualdades sociais estruturais da sociedade brasileira. Os mais pobres e excluídos são os mais afetados, tanto em termos de saúde como socioeconômicos. Por sua vez, os bilionários brasileiros enriquecem ainda mais durante esta crise.

Um ano depois do primeiro caso de COVID 19 no mundo, não restam dúvidas sobre quais são as medidas exigidas para conter o avanço dessa tragédia: uso de máscara, higiene rigorosa das mãos e distanciamento social; garantia de testagem em massa e atendimento universal, equitativo, rápido e eficaz da rede de saúde; urgente início da vacinação; manutenção e ampliação de políticas sociais e econômicas para garantia de renda, manutenção de empregos e preservação de empresas.

Não podemos ser indiferentes. Por um lado, temos o dever de adotarmos todas as medidas preventivas para a preservação da saúde individual e da saúde pública; Por outro, devemos denunciar o negacionismo e a inépcia de governantes que, por sua ação ou omissão, contribuem para mais e mais mortes e sofrimento. Cobremos que cumpram com seus deveres, em especial o início imediato da vacinação.

A tragédia humanitária que enfrentamos, portanto, exige: muita responsabilidade individual; o reforço das ações de solidariedade com os mais necessitados; e que sejamos vozes proféticas em defesa da vida e dos direitos humanos.

São Paulo, 15 de dezembro de 2020

Comissão Justiça e Paz e Pastoral da Saúde

Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)