Notas Públicas

    Com uma carta à ordem, publicada no dia 8 de março, o superior geral dos Jesuítas, pe. Arturo Sosa anunciou que instituiu uma comissão chamada a trabalhar sobre o papel e a responsabilidade das mulheres na Companhia, nas suas obras e atividades em nível global. A Comissão é composta por dez pessoas (seis mulheres, três Jesuítas e um leigo) e recebeu um mandato de três anos.

    O comentário é do teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, publicado por Settimana News, 09-03-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

    O ponto de partida é representado pelo Decreto 14 da 34ª Congregação Geral (1995) sobre “os Jesuítas e a condição das mulheres na Igreja e na sociedade civil”. Passados mais de vinte e cinco anos, não só mudou a situação geral a que se referia aquele decreto, mas agora a Companhia é chamada a refletir sobre a missão das mulheres dentro de sua própria atuação.

    Chegou-se a isso depois que, em 2019, por ocasião do Congresso da Secretaria de Justiça Social e Ecologiape. Sosa havia pedido à ordem de "considerar o lugar da mulher em nossas instituições e em nossas prioridades apostólicas". Um grupo de participantes aceitou esse convite e se reuniu com o padre geral para detalhar mais o projeto. O resultado da reunião foi sugerir a criação de uma Comissão ad hoc, que agora foi constituída após uma ampla rodada de consultas - com o objetivo principal de identificar quem deveria fazer parte dela.

    Em termos de conteúdo, a Comissão tem um mandato preciso: retomar e atualizar o Decreto 14 tendo em conta as mudanças ocorridas; fornecer uma avaliação crítica da participação das mulheres na vida da Companhia; propor recomendações para fortalecer e operacionalizar o papel e a responsabilidade das mulheres nas instituições jesuítas; indicar eventuais práticas ou costumes que possam dificultar a efetiva implementação dos três primeiros pontos.

    Donna Andrade, que foi chamada para integrar a Comissão, afirmou que se trata de “um processo evolutivo. O que mais importa para mim é que não percamos isso de vista. É a primeira vez que a questão [do papel e da responsabilidade das mulheres na vida da Companhia] é colocada nesses termos, mas podemos começar a entendê-la dessa forma apenas porque certas coisas aconteceram antes de nós do um ponto de vista histórico".

    Consciente da importância, mas também da delicadeza da tarefa confiada à Comissão, destacou que “muito do que as pessoas veem negativamente sobre o papel da mulher em uma estrutura patriarcal como a nossa Igreja é profundamente marcado politicamente e pode ser fortemente divisionista. Quero muito discutir esses aspectos de uma forma que não nos divida, mas, ao contrário, una uns aos outros”.

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    fonte: http://www.ihu.unisinos.br/607379-o-papel-das-mulheres-na-companhia-de-jesus